sexta-feira, 06/11/2026

Médicos levantam hipótese de endometriose cerebral em paciente com convulsões menstruais.

Em um caso intrigante que pode abrir novas portas para a compreensão da epilepsia relacionada ao ciclo menstrual, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, relataram a história de…

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Em um caso intrigante que pode abrir novas portas para a compreensão da epilepsia relacionada ao ciclo menstrual, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, relataram a história de uma mulher que, aos 41 anos, começou a apresentar crises epilépticas coincidentemente ligadas ao seu ciclo menstrual. O relato, publicado no Journal of Clinical Medicine, destaca a possibilidade de endometriose cerebral, uma condição rara e ainda pouco compreendida.

A paciente começou a experienciar convulsões em fevereiro de 2019, apresentando perda de consciência parcial e total, além de lapsos de memória. Sem histórico familiar de epilepsia e sem sintomas típicos de endometriose, sua busca por um diagnóstico adequado se estendeu por seis meses. Ao monitorar suas crises em um diário, ela descobriu que os episódios ocorriam apenas durante a menstruação.

A ressonância magnética realizada em agosto de 2019 revelou uma lesão no hipocampo, área do cérebro associada à memória e à epilepsia. Em 2021, a introdução de hormônios no tratamento levou à completa cessação das convulsões. Após sete anos, uma nova ressonância não evidenciou mais a lesão, alimentando a hipótese de que a presença de tecido semelhante ao endométrio no cérebro poderia estar por trás dos episódios epilépticos.

A definição de “endometriose cerebral presumida” foi adotada pelos pesquisadores, já que, sem biópsia, a confirmação do diagnóstico não é definitiva. A lesão observada inicialmente no hipocampo era considerada um enigma, levando a especulações que variavam entre uma má-formação e um tumor, até que a relação com a menstruação se tornasse evidente.

Compreender a conexão entre hormônios e epilepsia é crucial. A epilepsia catamenial, que se refere a convulsões que ocorrem em momentos específicos do ciclo menstrual, afeta de um terço a metade das mulheres em idade fértil com epilepsia. Essa condição é influenciada pela oscilação dos níveis hormonais, com o estrogênio aumentando a excitabilidade neuronal e a progesterona agindo como um estabilizador.

A possibilidade de tecido endometrial no cérebro levanta questões sobre como esse material poderia migrar para uma área tão remota. Especialistas sugerem que células endometriais poderiam viajar pelo sistema circulatório ou linfático, ou mesmo que algumas dessas células já estivessem presentes desde o desenvolvimento embrionário, apenas reagindo aos hormônios menstruais mais tarde na vida.

Embora o tratamento hormonal tenha demonstrado eficácia, a ausência de confirmação por meio de biópsia deixa a questão em aberto. A melhora dos sintomas pode ser atribuída a diferentes fatores, incluindo a simples oscilação hormonal. O relato serve como um importante alerta para neurologistas e ginecologistas sobre a importância de considerar a relação entre os ciclos menstruais e as crises epilépticas, sugerindo que a investigação hormonal pode ser uma alternativa viável antes de se considerar intervenções mais invasivas.