sexta-feira, 06/11/2026

Remédio falsificado apreendido em operação em SP é o mesmo prescrito ao papa Leão XIV e contém apenas sódio e cloro, aponta laudo.

Recentemente, um grave caso de falsificação de medicamentos chocou o setor de saúde no Brasil, quando frascos de Keytruda, uma das imunoterapias mais utilizadas no tratamento do câncer, foram encontrados sem o princípio ativo…

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Recentemente, um grave caso de falsificação de medicamentos chocou o setor de saúde no Brasil, quando frascos de Keytruda, uma das imunoterapias mais utilizadas no tratamento do câncer, foram encontrados sem o princípio ativo necessário, o pembrolizumabe. Esse episódio levou à prisão de três indivíduos durante a Operação Laziosi, que investiga a comercialização de remédios falsificados no estado.

A análise realizada pelo laboratório forense da MSD revelou que os frascos, que apresentavam embalagem e design similares aos originais, continham apenas sódio e cloro em sua composição, desprovidos do componente que poderia oferecer a esperança de cura a pacientes com diversos tipos de câncer, como pulmão, melanoma e esôfago. O que é ainda mais alarmante é que uma dose desse produto fraudulentamente fabricado chegou a ser administrada em um paciente, colocando sua vida em risco.

O Keytruda, que custa mais de R$ 20 mil por frasco no mercado brasileiro e é disponibilizado pelo SUS apenas para casos de melanoma avançado, é um medicamento que tem demonstrado resultados significativos na luta contra o câncer, prolongando a vida de milhões de pessoas desde sua aprovação em 2014. No entanto, a alta demanda por tratamentos eficazes e o acesso limitado no sistema público têm levado muitas pessoas a recorrer à Justiça para garantir esse medicamento.

O impacto da falsificação não se limita apenas à questão legal, mas também à saúde dos pacientes. Especialistas destacam que a imunoterapia, ao invés de atacar diretamente as células tumorais como a quimioterapia, age estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater o câncer. Essa abordagem, embora inovadora, torna os medicamentos suscetíveis a fraudes, especialmente em um cenário onde os efeitos colaterais são mínimos e a resposta ao tratamento pode demorar a ser percebida. O oncologista Stephen Stefani alertou para os riscos que esses produtos falsificados podem representar, pois mesmo uma substância inócua pode causar complicações em pacientes já vulneráveis.

Além disso, o Keytruda se destaca como um dos medicamentos mais litigiosos do Brasil, com mais de 6,7 mil ações judiciais em andamento, refletindo a luta de muitas famílias pelo acesso ao tratamento. A recente parceria entre o governo e a MSD para a transferência de tecnologia ao Instituto Butantan busca não apenas tornar o medicamento mais acessível, mas também ampliar sua utilização em outros tipos de câncer, como mama e colo do útero.

Esse episódio de falsificação é um lembrete alarmante do quanto a integridade do sistema de saúde deve ser preservada e da importância de se garantir que os pacientes recebam tratamentos seguros e eficazes. A luta contra o câncer não deve ser dificultada por práticas criminosas que comprometem vidas e a confiança no sistema de saúde.

Crédito da imagem: Operação contra a falsificação de medicamentos oncológicos