Um estudo recente publicado na revista The Lancet Global Health traz à tona uma realidade alarmante: um em cada quatro adolescentes no mundo, ou seja, cerca de 240 milhões de jovens, não se dedica a pelo menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. Essa situação é ainda mais crítica entre as meninas, que apresentam níveis de atividade física bem inferiores aos dos meninos. A pesquisa, que analisou dados de 3,2 milhões de adolescentes entre 11 e 17 anos em 140 países, revela um estagnado panorama de inatividade que persiste há 15 anos, desafiando esforços globais para incentivar o exercício físico.
Os números são preocupantes. Em 2025, os jovens se movimentaram, em média, apenas 2,7 dias por semana, e apenas 13,9% conseguiu se exercitar por uma hora em todos os sete dias da semana. O estudo ainda destaca desigualdades importantes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, além de acentuadas diferenças de gênero. No Brasil, por exemplo, os meninos reportaram, em média, de 1,1 a 1,2 dias de atividade a mais por semana do que as meninas, tornando o país um dos que mais apresenta essa discrepância.
A desigualdade entre sexos é um dos pontos mais críticos do levantamento. Em 2025, 28,4% das meninas afirmaram não ter praticado atividade física em nenhum dia da semana, em comparação com 21,7% dos meninos. Essa diferença se reflete também na frequência semanal de exercícios, com variações significativas entre as diversas regiões do mundo, influenciadas por fatores sociais, culturais e ambientais. Normas de gênero restritivas e preocupações com segurança são algumas das barreiras que dificultam a atividade física entre as meninas, evidenciando que a mudança de comportamento individual não será suficiente para resolver essas desigualdades.
As diferenças de atividade física não se restringem ao Brasil; a pesquisa revela que países de alta renda tendem a ter adolescentes mais ativos, com médias de 3,8 a 4,1 dias ativos por semana, enquanto regiões de baixa e média renda enfrentam índices alarmantes de inatividade. Na América Latina e no Caribe, 22,7% dos adolescentes não praticaram atividade física em nenhum dia, uma realidade que ressalta a necessidade de intervenções eficazes adaptadas às particularidades de cada região.
Além disso, o estudo indica que a atividade física diminui com a idade, especialmente entre as meninas. Enquanto a média de dias ativos para meninas de 11 anos é de 2,6, aos 17 anos essa média cai para 2,2 dias. Os meninos, por outro lado, apresentam uma queda menos acentuada. As diferenças de gênero e idade nos níveis de atividade física exigem atenção especial das políticas públicas, que devem promover ambientes mais favoráveis ao exercício, especialmente para as jovens.
Apesar das iniciativas e da crescente conscientização sobre a importância da atividade física, os pesquisadores alertam que nenhum país está no caminho certo para alcançar a meta global da OMS de reduzir em 15% a proporção de adolescentes inativos até 2030. As projeções indicam que, se as tendências atuais persistirem, o cenário de inatividade física permanecerá inalterado, o que é desanimador para a saúde pública global.
Frente a esse desafio, o estudo recomenda que governos e instituições implementem políticas que priorizem a atividade física entre os adolescentes, levando em consideração as especificidades culturais e sociais de cada local. As intervenções devem se concentrar nas barreiras que impedem a prática de atividades físicas, especialmente entre as meninas, e as escolas podem servir como um ponto de partida crucial para essas iniciativas.
Os dados coletados, embora abrangentes, apresentam limitações, como a falta de informações diretas de 55 países, incluindo a Índia. Contudo, a pesquisa oferece um panorama amplo das desigualdades existentes e da necessidade urgente de ações efetivas que promovam a atividade física entre os jovens, garantindo que todos tenham a oportunidade de se manter ativos e saudáveis.
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