sexta-feira, 06/11/2026

Estudo da USP revela que 33% dos usuários de maconha sintética apresentam fentanil no organismo.

Um novo estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revela uma preocupante contaminação de maconha sintética, também conhecida como drogas K, com fentanil, um opioide sintético extremamente potente. A pesquisa, que analisou 65…

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Um novo estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revela uma preocupante contaminação de maconha sintética, também conhecida como drogas K, com fentanil, um opioide sintético extremamente potente. A pesquisa, que analisou 65 usuários em São Paulo, encontrou fentanil na saliva de 21 deles, todos sem histórico de uso de opioides, o que indica um consumo inadvertido da substância.

O fentanil, responsável por uma epidemia de overdoses nos Estados Unidos, sempre foi considerado raro nas ruas brasileiras, especialmente entre grupos vulneráveis. No entanto, a pesquisa da FMUSP marca um ponto de virada, sendo a primeira a detectar a substância em amostras biológicas de usuários de drogas no país. Isso levanta sérias questões sobre a segurança do que está sendo consumido sob a forma de maconha sintética.

A maconha sintética é produzida em laboratórios e não deriva da planta de cannabis. Ela é frequentemente pulverizada em materiais vegetais secos e vendida sob nomes como K2, K4, K9 e spice. A análise realizada nos serviços de tratamento de dependência química revelou que, apesar dos participantes não relatarem o uso de fentanil ou outros opioides, a presença da substância foi confirmada em suas amostras. Essa situação aumenta exponencialmente o risco de intoxicação, que pode ser fatal.

Os pesquisadores observaram que a mistura de fentanil com maconha sintética pode potencializar a depressão respiratória, um efeito já observado em experimentos com animais. Além disso, a combinação diminui a eficácia da naloxona, um medicamento usado para reverter overdoses de opioides, o que pode resultar em situações de emergência ainda mais complicadas para os profissionais de saúde.

Os participantes do estudo foram recrutados em três serviços de saúde entre agosto de 2024 e agosto de 2025. Todos relataram ter consumido maconha sintética nos dias que antecederam a coleta de saliva, mas nem todos apresentaram resultados positivos para a substância em testes, o que sugere que as moléculas consumidas podem não ter sido detectáveis pelos métodos utilizados.

Os especialistas alertam que a realidade do uso de drogas sintéticas no Brasil está mudando rapidamente, e a falta de controle sobre o que está sendo vendido representa uma grave ameaça à saúde pública. É essencial que médicos e equipes de saúde estejam cientes de que a simples declaração de um paciente sobre o que consumiu pode não refletir a verdade, exigindo uma abordagem mais cautelosa e informada no tratamento de intoxicações.