sexta-feira, 06/11/2026

Novo exame de sangue para detecção de Alzheimer é disponibilizado no Brasil: informações sobre elegibilidade, preços e interpretação dos resultados.

O Brasil dá um passo significativo na luta contra o Alzheimer com a introdução de um novo exame de sangue, que promete facilitar o diagnóstico da doença. Desde esta quinta-feira (15), o Hospital Moinhos…

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O Brasil dá um passo significativo na luta contra o Alzheimer com a introdução de um novo exame de sangue, que promete facilitar o diagnóstico da doença. Desde esta quinta-feira (15), o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), é o primeiro a oferecer o teste, que mede a proteína p-tau217 e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a punção lombar.

Com um custo estimado em R$ 3 mil, o exame é restrito a pacientes que apresentam sintomas e já têm suspeita clínica de Alzheimer. No entanto, um resultado positivo não é definitivo para o diagnóstico de demência, e ainda não há previsão para que a tecnologia seja incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde informa que não há demanda formal para a avaliação do exame pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A proteína p-tau217, cuja presença no sangue indica alterações características do Alzheimer, é um marcador indireto dos danos cerebrais causados pela doença. O teste, realizado em equipamentos automatizados, apresenta uma taxa de concordância de até 94% quando comparado a métodos tradicionais, como a análise do líquor, embora sua validação específica no Brasil ainda esteja em andamento.

O exame destina-se, principalmente, a indivíduos com mais de 50 anos que já apresentem sinais de comprometimento cognitivo. Especialistas alertam que a interpretação dos resultados deve ser feita em conjunto com uma avaliação clínica completa, pois um resultado positivo em pessoas sem sintomas conhecidos não tem significado estabelecido. Além disso, a precisão do teste pode ser menor em pacientes mais velhos, indicando a necessidade de uma abordagem cautelosa.

Atualmente, os métodos tradicionais de diagnóstico, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) ou a análise do líquor, apresentam um custo elevado e exigem estrutura especializada, o que limita o acesso a muitos pacientes. O novo exame de sangue, portanto, surge como uma alternativa menos invasiva e com potencial para democratizar o acesso ao diagnóstico de Alzheimer.

Contudo, a expectativa de que o teste esteja disponível no SUS ainda enfrenta barreiras, já que a avaliação de custo-efetividade e a inclusão no sistema público de saúde dependem de processos que ainda não foram iniciados. O Hospital Moinhos de Vento planeja integrar o exame aos planos de saúde em 2026, mas sem garantias concretas.

O impacto do exame pode ser profundo. Ao possibilitar um diagnóstico mais rápido, poderá ampliar as opções de tratamento disponíveis para os pacientes, que, atualmente, podem se beneficiar de terapias que retardam a progressão da doença. Para os especialistas, a identificação precoce do Alzheimer é crucial, pois quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores serão as chances de um manejo eficaz da condição.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Sunriseforever (pixabay)