A Prefeitura de São Paulo deu um passo significativo ao lançar o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, um documento que busca melhorar a segurança dos participantes em eventos de corrida na cidade. A medida surge quase dois meses após a trágica morte do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, que faleceu após cruzar a linha de chegada da SP City Marathon, em julho. O protocolo, publicado no Diário Oficial na terça-feira (13), entrará em vigor em 12 de dezembro.
O novo regulamento estabelece critérios rigorosos para o atendimento médico durante as provas, definindo tempos máximos para o primeiro atendimento e a distribuição de desfibriladores ao longo dos percursos. A intenção é garantir que todos os participantes tenham acesso a cuidados adequados, independentemente da localização do evento. O médico Miguel Carvalho Santacreu, que estava presente na corrida em que Barreto faleceu, criticou a lentidão do atendimento no momento da emergência, ressaltando que os primeiros socorros foram realizados por médicos participantes da corrida e que a ambulância chegou sem o desfibrilador, apenas minutos depois.
Um dos principais avanços do protocolo é a implementação de uma classificação de risco que categoriza os eventos com base em diversos fatores, como o número de participantes, condições climáticas e histórico de incidentes. Essa nova estrutura prevê quatro níveis de risco: baixo, médio, alto e risco especial, permitindo um planejamento mais adaptado às particularidades de cada corrida.
O documento também determina que o atendimento inicial deve ser realizado em prazos rigorosos, que variam de 3 a 8 minutos, dependendo da classificação de risco do evento. Além disso, a cobertura médica será ampliada, com postos de atendimento distribuídos ao longo do percurso e uma equipe médica dimensionada conforme o tamanho e a complexidade da prova.
Outro aspecto importante é a atenção às condições climáticas extremas, que podem afetar a saúde dos corredores. O protocolo estabelece diretrizes específicas para situações de calor, exigindo monitoramento constante das condições meteorológicas e ações adequadas para garantir a hidratação e a segurança dos participantes.
A fiscalização será uma parte crucial da implementação do protocolo, com a Secretaria Municipal da Saúde responsável por monitorar a conformidade e avaliar a eficácia das estruturas de atendimento. O documento também prevê a criação de “eventos sentinela”, que permitirão a análise de incidentes graves durante as provas, ajudando a identificar falhas e a promover melhorias contínuas.
Com essas novas normas, espera-se que a Prefeitura de São Paulo eleve o padrão de segurança nas corridas de rua, proporcionando um ambiente mais seguro para os atletas e, assim, prevenindo tragédias como a que ocorreu em julho.
Crédito da imagem: Imagem feita durante a corrida de São Silvestre



