O aumento alarmante dos transtornos mentais entre os jovens britânicos, especialmente entre os de 16 a 24 anos, é um reflexo de uma crise de saúde pública que vem se agravando nas últimas três décadas. Se em 1993, um em cada seis jovens lidava com esses problemas, em 2024 essa proporção saltou para um em cada quatro, segundo uma revisão independente liderada pelo professor Peter Fonagy, publicada recentemente. O estudo também revela um crescimento exponencial nos diagnósticos de autismo e TDAH, que aumentaram mais de 20 e seis vezes, respectivamente, em certas faixas etárias.
Os especialistas apontam que o aumento dos transtornos mentais, como ansiedade e depressão, não pode ser atribuído apenas à maior disposição das pessoas em relatar seus problemas. Embora a irritabilidade tenha diminuído, a incidência de preocupações e pensamentos depressivos subiu significativamente. Além disso, o acesso ao tratamento continua a ser um desafio, com apenas 25% das crianças com possíveis condições mentais conseguindo atendimento pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS).
Um dos pontos centrais do relatório é a necessidade de reformular os serviços de saúde, educação e assistência social para que o suporte não dependa unicamente de diagnósticos formais. Os especialistas enfatizam que a identificação adequada e o atendimento rápido são cruciais para evitar que muitos jovens continuem sem a assistência necessária. Essa proposta foi bem recebida, mas ressalta a urgência de uma ampliação na disponibilidade de profissionais qualificados.
A revisão também levanta questões sobre a relação entre o aumento dos diagnósticos e a real prevalência das condições. O psiquiatra Guilherme Polanczyk destaca que, embora o crescimento dos diagnósticos seja inegável, não está claro se isso indica um aumento proporcional de casos na população. Mudanças nos critérios diagnósticos e uma maior conscientização são fatores que contribuem para essa dinâmica.
Além disso, o relatório alerta para os riscos associados a diagnósticos inadequados, que podem levar a intervenções desnecessárias e a uma percepção equivocada das dificuldades enfrentadas por muitos. É essencial que os serviços de saúde reconheçam a importância de uma avaliação cuidadosa e que a identificação precoce de condições como o autismo e o TDAH seja acompanhada por intervenções adequadas.
Os especialistas concordam que, enquanto é necessário garantir o acesso ao atendimento a todos que precisam, a discussão sobre diagnósticos excessivos não deve eclipsar a realidade de que muitos ainda carecem de suporte. A transformação no atendimento depende não apenas de mudanças nas práticas, mas também de uma real ampliação dos recursos e da capacidade do sistema de saúde em atender a demanda crescente.
Crédito da imagem: Adobe Stock



