sexta-feira, 06/11/2026

Anvisa reporta nove óbitos relacionados ao uso compassivo de polilaminina e estabelece novas diretrizes; especialista levanta questionamentos.

A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina gerou uma onda de críticas e descontentamento entre os pesquisadores envolvidos no estudo da substância. A medida…

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A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina gerou uma onda de críticas e descontentamento entre os pesquisadores envolvidos no estudo da substância. A medida foi tomada após o registro de nove óbitos, levando a Anvisa a reavaliar a segurança do tratamento e a implementar novas diretrizes para sua aplicação.

A polilaminina, uma proteína que promete auxiliar na regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesões na medula, ainda é objeto de pesquisa e não possui um histórico comprovado de eficácia. A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelos estudos, expressou indignação em um vídeo divulgado nas redes sociais, onde acusou a Anvisa de impor restrições excessivas que dificultam o acesso ao tratamento. “Agora tudo depende de uma correria louca, que poucas pessoas conseguem cumprir,” lamentou Tatiana.

Desde o início das aplicações, 119 pacientes receberam a polilaminina, mas a Anvisa se viu obrigada a agir após as notificações de mortes de pacientes que não seguiam o protocolo estabelecido. O laboratório Cristália, que coordena a pesquisa, confirmou que as mortes não estão relacionadas ao uso da substância, mas a agência optou por rever os critérios de inclusão no uso compassivo, limitando-o a casos mais restritos.

Atualmente, a Anvisa permite que apenas pacientes com lesões na medula de até 72 horas e entre as vértebras T2 e T10 tenham acesso ao tratamento, uma decisão que Tatiana contesta veementemente. Ela argumenta que essa limitação exclui muitos pacientes que poderiam se beneficiar da polilaminina, especialmente aqueles com lesões mais antigas. Em uma tentativa de ampliar o acesso, ela citou um estudo que sugere que melhorias podem ser observadas mesmo em lesões crônicas.

A Anvisa, por sua vez, justifica suas ações com base em recomendações de um painel técnico, composto por especialistas que expressaram preocupações sérias sobre os riscos e a forma de aplicação da substância. A agência reafirma que suas decisões são guiadas pela necessidade de proteger a saúde pública e garantir a segurança dos pacientes.

O laboratório Cristália, embora respeite a decisão da Anvisa, também se posicionou em defesa da agência, destacando a importância de manter altos padrões de segurança e eficácia nos tratamentos oferecidos. A polilaminina representa uma esperança para muitos pacientes, mas a necessidade de evidências clínicas robustas é um fator crucial que não pode ser ignorado. Assim, o debate sobre o uso compassivo da substância continua, refletindo uma tensão entre inovação científica e a prudência necessária em questões de saúde pública.

Crédito da imagem: Testes ainda não garantem a segurança da polilaminina