sexta-feira, 06/11/2026

Brasil inicia teste de tratamento injetável inovador contra HIV com participação de ativista

Uma nova esperança surge no combate ao HIV com um estudo inovador em andamento no Brasil, que investiga um tratamento injetável que pode ser administrado a cada quatro meses. O projeto, denominado CUATRO, analisa…

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Uma nova esperança surge no combate ao HIV com um estudo inovador em andamento no Brasil, que investiga um tratamento injetável que pode ser administrado a cada quatro meses. O projeto, denominado CUATRO, analisa versões de ação ultralonga dos antirretrovirais cabotegravir e rilpivirina, visando manter a eficácia no controle do vírus com uma frequência de doses significativamente reduzida.

Este é um estudo de fase 3, que envolve um número considerável de voluntários antes de uma possível aprovação. A expectativa é de que cerca de 564 participantes sejam recrutados em diversos países, com acompanhamento previsto até 2029, embora os primeiros resultados sejam aguardados antes desse prazo. No Brasil, 65 voluntários já estão participando, com mais cinco em processo de triagem, conforme informa o infectologista José Valdez Ramalho Madruga, um dos pesquisadores envolvidos.

Pisci Bruja, uma antropóloga e ativista pelos direitos das pessoas vivendo com HIV, é uma das voluntárias que se destacou no estudo. Como doutoranda em Saúde Coletiva pela USP, ela enfatiza a importância de sua participação, não apenas para o avanço do tratamento, mas também para trazer visibilidade à realidade enfrentada por muitos portadores do vírus. “O tratamento diário pode ser complicado devido ao estigma que ainda existe em torno do HIV”, comenta Pisci, destacando que a injeção pode facilitar o tratamento para aqueles que enfrentam dificuldades.

Além das questões sociais, a pesquisa visa atender a indivíduos que apresentam intolerância aos medicamentos orais ou que têm dificuldade em manter a regularidade do tratamento. “O intervalo maior entre as doses pode ser muito benéfico para os pacientes”, afirma Madruga, ressaltando a importância de um regime de tratamento que se adapte melhor à vida dos indivíduos.

O estudo CUATRO não é pioneiro no uso do cabotegravir e da rilpivirina, mas busca uma nova abordagem ao estender o intervalo entre as aplicações. A pesquisa já inclui participantes com carga viral controlada, o que significa que o tratamento não é uma primeira opção para novos diagnosticados, mas uma alternativa para aqueles que já estão em tratamento.

Os resultados do estudo deverão avaliar a eficácia do novo regime, considerando se a carga viral permanece controlada com a mesma segurança das opções atuais. Entretanto, mesmo que os resultados sejam promissores, a nova formulação ainda passará por avaliações regulatórias antes de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), onde atualmente predominam os tratamentos diários.

A proposta de terapias de longa duração, como a do estudo CUATRO, visa não apenas ampliar as opções de tratamento, mas também responder a uma demanda crescente por alternativas que reduzam a frequência das doses, melhorando a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV em todo o mundo.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — stevepb (pixabay)