A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de dar um passo significativo na luta contra a violência de gênero, ao aprovar uma proposta brasileira que visa incluir os feminicídios na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A decisão, unânime e ocorrida durante uma reunião em Sydney, Austrália, reflete um compromisso global em reconhecer e abordar a violência específica enfrentada por mulheres.
Com essa alteração, as mortes de mulheres resultantes de violência de gênero poderão ser registradas de maneira mais clara e detalhada, permitindo que dados que antes eram considerados apenas como agressões se tornem uma categoria específica de análise. Isso é crucial para a visibilidade de um problema que frequentemente fica oculto nas estatísticas, dificultando a formulação de políticas públicas eficazes.
Atualmente, a CID é uma ferramenta essencial utilizada pela OMS para padronizar a identificação de doenças e causas de morte. A proposta do Brasil, apresentada pelo Ministério da Saúde, promete melhorar a precisão dos registros relacionados a feminicídios, o que é fundamental para o entendimento e a avaliação da magnitude desse tipo de violência. Ao detalhar as circunstâncias de tais mortes, será possível desenvolver estratégias mais robustas de prevenção e proteção às mulheres.
Além de aprimorar as estatísticas, essa mudança pode ter um impacto direto no atendimento a mulheres que buscam ajuda médica devido a agressões. O Ministério da Saúde destaca que registros mais detalhados podem ajudar a mapear as trajetórias de violência, permitindo uma abordagem mais eficaz no cuidado e na proteção das vítimas.
A proposta se insere em um esforço mais amplo do governo brasileiro para enfrentar a violência contra mulheres, que inclui, entre outras iniciativas, a oferta de teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para aquelas em situação de violência. Essa abordagem integrada demonstra uma tentativa de não apenas responder ao problema, mas também de preveni-lo, oferecendo suporte às vítimas.
Embora a mudança tenha sido aprovada, o governo brasileiro ainda não informou quando as alterações serão efetivamente implementadas na CID-11. Contudo, a aprovação em um fórum internacional tão relevante é um sinal claro de que a luta contra o feminicídio e a violência de gênero está ganhando cada vez mais espaço nas discussões globais sobre saúde e direitos humanos.



