sexta-feira, 06/11/2026

Dores nas articulações: como distinguir entre menopausa e doenças reumatológicas

Durante a menopausa, muitas mulheres enfrentam o desafio de lidar com dores nas articulações, músculos e tendões, frequentemente associadas à redução dos níveis de estrogênio. Contudo, é essencial compreender que nem todo desconforto nessa…

Compartilhe:

Durante a menopausa, muitas mulheres enfrentam o desafio de lidar com dores nas articulações, músculos e tendões, frequentemente associadas à redução dos níveis de estrogênio. Contudo, é essencial compreender que nem todo desconforto nessa fase é decorrente de alterações hormonais. Especialistas alertam que, se a dor se torna persistente, limita atividades diárias ou é acompanhada de sintomas como inchaço nas articulações e rigidez matinal prolongada, a consulta com um reumatologista se torna indispensável.

De acordo com o reumatologista Valderílio Feijó Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, é fundamental diferenciar as dores típicas da menopausa de condições reumatológicas mais sérias, como artrite reumatoide e fibromialgia. A avaliação precoce pode ser decisiva, pois atribuir todos os desconfortos à menopausa pode atrasar diagnósticos essenciais e tratamentos adequados.

A síndrome musculoesquelética da menopausa, termo proposto em 2024, é um conceito que busca agrupar essas alterações relacionadas à queda hormonal. Embora ainda não tenha sido completamente aceito na comunidade científica, essa nomenclatura visa dar visibilidade a sintomas que, por muito tempo, passaram despercebidos. O ginecologista Marcelo Luis Steiner destaca que a expressão ajuda a elucidar as manifestações que vão além dos tradicionais sintomas da menopausa.

Alguns sinais específicos podem indicar a necessidade de uma avaliação reumatológica. Inchaço, calor ou vermelhidão nas articulações, rigidez matinal que dura mais de 30 minutos e dor que interrompe o sono são alguns dos alertas que não devem ser ignorados. Além disso, a fraqueza muscular e a dor intensa nos ombros e quadris, especialmente após os 50 anos, são pontos de atenção que indicam a necessidade de investigação aprofundada.

A dificuldade de distinguir entre dores musculoesqueléticas associadas à menopausa e doenças reumatológicas é um desafio enfrentado tanto por pacientes quanto por médicos. Durante essa transição, muitas mulheres também lidam com problemas de sono e fadiga, o que pode intensificar a percepção da dor. No entanto, o reumatologista Azevedo salienta que, nas manifestações ligadas à menopausa, não costumam ser encontrados sinais inflamatórios nas articulações, ao contrário do que ocorre em doenças como a artrite reumatoide.

As alterações hormonais trazidas pela menopausa podem impactar negativamente a saúde óssea e muscular, levando a um quadro de dor que afeta a qualidade de vida. A perda de estrogênio pode gerar um ambiente de inflamação e complicar a manutenção da massa muscular e da saúde das articulações. Por isso, é crucial que as mulheres busquem um estilo de vida saudável, que inclua atividade física regular e uma dieta equilibrada, para mitigar esses efeitos.

O tratamento das dores na menopausa deve ser individualizado, levando em consideração não apenas os sintomas, mas também o contexto de saúde de cada mulher. Azevedo enfatiza que a atividade física é uma das intervenções mais eficazes para preservar a saúde musculoesquelética. Além disso, quando necessário, medicamentos podem ser utilizados para controlar a dor, e a terapia hormonal pode ser considerada, mas sempre de forma cautelosa e sob orientação médica.

Ignorar as dores musculares e articulares durante a menopausa não é uma opção viável. A literatura aponta que até 70% das mulheres podem apresentar esses sintomas. Assim, é fundamental que as mulheres estejam atentas aos sinais de alerta e busquem a orientação adequada, assegurando que a fase da menopausa não seja marcada por limitações significativas em suas vidas diárias.

Crédito da imagem: Adobe Stock