sexta-feira, 06/11/2026

Temas relevantes como SUS, educação matemática, crise climática e a população em situação de rua são negligenciados nas campanhas eleitorais.

Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentaram seus planos de governo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, a discussão…

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Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentaram seus planos de governo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, a discussão acerca dos desafios que o Brasil enfrenta ficou em segundo plano durante a disputa, com poucos detalhes emergindo nos debates públicos. Especialistas apontam diversos temas críticos que mereceriam mais atenção, mas que foram negligenciados nas campanhas.

Um dos assuntos que carece de discussão é o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) diante do envelhecimento da população. Apesar de ser um direito garantido pela Constituição, a saúde não recebeu a devida ênfase nas propostas eleitorais. O SUS, que é vital para a vacinação, distribuição de medicamentos e vigilância sanitária, enfrenta desafios financeiros crescentes, especialmente com a projeção de um aumento significativo na carga de doenças crônicas nos próximos anos. O professor Rudi Rocha, da FGV, enfatiza que o envelhecimento da população exigirá mais investimento e uma melhor integração entre as redes de atendimento.

Outro tema alarmante é a defasagem no ensino de matemática no ensino médio. Um estudo do Todos pela Educação revelou que, enquanto os estudantes melhoraram em língua portuguesa, a aprendizagem em matemática permanece estagnada, com mais de 58% dos alunos com desempenho abaixo do básico. A presidente-executiva da organização, Priscila Cruz, atribui essa questão à falta de formação adequada para os professores e à necessidade de priorizar a matemática desde os primeiros anos escolares.

O clima também não foi devidamente considerado nas pautas eleitorais, apesar do El Niño estar previsto para se intensificar nos próximos meses. Fenômenos climáticos extremos, como secas e enchentes, afetam a agricultura e ameaçam a vida de milhões de brasileiros. O climatologista Carlos Nobre alerta que as políticas públicas precisam ser direcionadas para proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis, em face das mudanças climáticas que se agravam a cada ano.

A situação da população em situação de rua é outro tema que ficou à margem do debate eleitoral. Com mais de 390 mil pessoas nessa condição no Brasil, estudos apontam a necessidade urgente de políticas públicas eficazes. Embora o governo Lula tenha implementado algumas iniciativas para essa população, como o fortalecimento do Cadastro Único, a falta de propostas concretas por parte de ambos os candidatos para tratar do assunto foi notável. Especialistas ressaltam que a invisibilidade dessa questão social não pode continuar, pois cada cidadão tem direitos que devem ser garantidos pelo Estado.

Esses temas, que abrangem saúde, educação, clima e direitos humanos, são fundamentais para o futuro do Brasil e merecem atenção não apenas durante a campanha, mas como parte de um compromisso contínuo dos governantes com a melhoria da vida de todos os brasileiros. A sociedade deve exigir respostas e ações efetivas para enfrentar os desafios que se avizinham, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.

Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo