sexta-feira, 06/11/2026

Transtorno Obsessivo-Compulsivo atinge até 3% da população global; descubra como a terapia pode auxiliar no enfrentamento da condição.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição que, para muitos, transforma o cotidiano em um campo de batalha mental. Alex, por exemplo, começou a sentir os efeitos do TOC aos 13 anos, quando a…

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O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição que, para muitos, transforma o cotidiano em um campo de batalha mental. Alex, por exemplo, começou a sentir os efeitos do TOC aos 13 anos, quando a contagem de objetos e contatos se tornou uma obsessão. Com o tempo, ações simples como fazer compras ou receber pessoas em casa se tornaram tarefas quase impossíveis devido ao medo constante que a acompanhava. Hoje, aos 36 anos, suas rotinas são marcadas pela necessidade de lavar as mãos incessantemente e descartar talheres após o uso. “Você assiste a si mesmo enlouquecendo”, reflete Alex sobre sua experiência.

Estima-se que, na Alemanha, mais de 2 milhões de pessoas compartilhem essa realidade, e globalmente, entre 2% a 3% da população enfrenta o TOC. O psicólogo Paul Salkovskis elucida que o transtorno se inicia com um pensamento intrusivo, que, ao contrário de ser rapidamente descartado, se transforma em uma ameaça palpável. Para quem sofre de TOC, pensamentos como “deixei o fogão ligado” podem gerar um ciclo de ansiedade e compulsão, levando a ações repetitivas que, embora proporcionem um alívio temporário, acabam reforçando a gravidade do pensamento original.

Os pensamentos obsessivos frequentemente são absurdos e incompatíveis com a personalidade do indivíduo, podendo envolver medos de causar danos a outros ou a si mesmo. A psicoterapeuta Katharina Bey destaca que, por serem tão distantes dos valores pessoais, esses pensamentos se tornam ainda mais angustiantes.

Uma nova pesquisa publicada na revista Nature Neuroscience indica que o TOC pode ter raízes genéticas, com 36 variantes associadas ao transtorno. Contudo, Bey ressalta que a genética é apenas uma parte do quadro, com fatores ambientais desempenhando um papel significativo. Experiências traumáticas, como a perda de um ente querido ou a separação dos pais, podem contribuir para o desenvolvimento do TOC, levando a uma busca disfuncional por controle em meio à incerteza.

Embora entender a origem do TOC possa ser útil, Jessica Teitz, que também vive com a condição, acredita que o foco deve estar nas estratégias de enfrentamento. O tratamento mais eficaz, a Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta, ensina os pacientes a confrontar suas ansiedades sem se refugiar em comportamentos compulsivos. Jessica, que sofreu com o TOC desde a infância, encontrou liberdade e autoconfiança ao aprender a tolerar a ansiedade em vez de tentar neutralizá-la.

Com o suporte adequado, tanto Alex quanto Jessica encontraram formas de viver com o TOC. Embora as obsessões e compulsões permaneçam, elas agora têm ferramentas para gerenciar seus sintomas. “Quero viver. Quero fazer as coisas que são importantes para mim. E então passa”, diz Alex, refletindo sobre sua jornada. Jessica, por outro lado, se tornou instrutora de ioga e oferece aulas para aqueles que enfrentam desafios semelhantes. Ambas são voluntárias na Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos e encorajam outros a buscar ajuda, alertando que quanto mais tempo se convive com o transtorno, mais difícil pode se tornar superá-lo. “Existe ajuda. Procure por ela”, conclui Jessica.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — HansLinde (pixabay)