O Brasil enfrenta um desafio significativo para manter seu status como país livre da circulação endêmica do sarampo, especialmente considerando o alarmante aumento dos casos nos países vizinhos. Com mais de 20 mil casos registrados em nações como Peru e Bolívia, o diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti, enfatiza a necessidade urgente de intensificar a vacinação com a tríplice viral nas regiões de fronteira, particularmente no oeste do Amazonas.
Apesar de a cobertura vacinal ter se mostrado a melhor desde 2016, a realidade é preocupante: nenhum estado brasileiro conseguiu atingir a meta de 95% de vacinação entre crianças menores de 2 anos. Atualmente, a imunização completa está abaixo de 80%, o que gera apreensão entre especialistas, dado o cenário de ressurgimento da doença em países vizinhos.
A primeira dose da vacina confere uma proteção de 94% a 96% contra o sarampo, enquanto duas doses elevam essa proteção para mais de 97%. No entanto, a cobertura da segunda dose em crianças de até 5 anos ainda está em 91%, conforme Gatti, revelando a necessidade de um esforço contínuo para alcançar a meta de imunização ideal dentro do limite de idade recomendado.
Os estados que apresentam os melhores índices de vacinação incluem Ceará, Paraná e Minas Gerais, enquanto Amapá, Pará e Maranhão estão entre os que têm os piores índices. A situação se torna mais crítica com o registro de 39 casos de sarampo em 2025, que já subiram para mais de 50 em 2026, predominantemente no estado de São Paulo.
Ainda que o Brasil não registre transmissão sustentada da doença, casos importados podem desencadear novos surtos, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal. O infectologista Renato Kfouri alerta que cada caso importado representa um risco real de reintroduzir o vírus, criando condições para surtos em comunidades vulneráveis.
Embora o país tenha recuperado a certificação de eliminação do sarampo, os riscos permanecem elevados. A movimentação internacional de pessoas traz a doença para o Brasil, com infecções advindas tanto de brasileiros que viajam ao exterior quanto de estrangeiros que chegam infectados. A proteção da população por meio de vacinação adequada é a chave para evitar a propagação do vírus.
A meta de 95% de vacinação é crucial, pois o sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo. Para impedir a circulação sustentada do vírus, é necessário que uma proporção significativa da população esteja imunizada. A falta de vacinação em determinadas comunidades cria bolsões de suscetibilidade, favorecendo surtos localizados.
O exemplo dos Estados Unidos ilustra a gravidade da situação. Com mais de 3,6 mil casos registrados em 2026, o país enfrenta um dos piores surtos de sarampo em décadas, resultado de uma queda contínua na cobertura vacinal, exacerbada pela desinformação e movimentos antivacinação. A experiência americana serve como um alerta sobre as consequências da hesitação vacinal e a importância de manter altas taxas de imunização.
O sarampo não é apenas uma doença leve; suas complicações podem ser graves, incluindo pneumonia, otite média e encefalite, e podem até levar à morte. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção e, conforme destacado pelos especialistas, é essencial garantir que a população esteja ciente da gravidade da doença e da importância da imunização.
Com o objetivo de reforçar a cobertura vacinal, o Ministério da Saúde tem promovido campanhas e recomendações, ampliando a vacinação em situações de surto. A proteção conferida pela vacina tríplice viral, com uma eficácia de aproximadamente 97%, é um forte aliado na luta contra o sarampo e na proteção da saúde pública. Assim, a mobilização para aumentar a adesão à vacinação é fundamental para garantir a segurança da população e prevenir novos surtos.



