sexta-feira, 06/11/2026

Deficiência de micronutrientes: um desafio silencioso que resulta em 50 mil mortes anuais na Alemanha

A deficiência nutricional é uma questão alarmante na Alemanha, onde cerca de 50 mil pessoas perdem a vida anualmente devido a essa condição. O problema muitas vezes se torna evidente apenas quando as consequências…

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A deficiência nutricional é uma questão alarmante na Alemanha, onde cerca de 50 mil pessoas perdem a vida anualmente devido a essa condição. O problema muitas vezes se torna evidente apenas quando as consequências de uma alimentação inadequada se tornam irreversíveis. Matthias Pirlich, médico especialista em nutrição e ex-vice-presidente da Sociedade Alemã de Medicina Nutricional (DGEM), aponta que “na maioria dos casos, no começo, não percebemos nada”. Ele alerta que deficiências graves, como a de vitamina D e B12, podem levar meses para se manifestar, resultando em danos irreparáveis ao organismo.

A carência de vitamina B12, por exemplo, pode causar danos à medula espinhal, comprometendo a mobilidade e a função cognitiva. Essa situação ilustra a importância dos micronutrientes, que desempenham um papel fundamental em processos vitais como a formação do sangue e o funcionamento do sistema nervoso. Contudo, com a crescente prevalência de dietas desequilibradas, a “fome oculta” tem se tornado um fenômeno global, afetando cerca de dois bilhões de pessoas. Este termo refere-se à ingestão de calorias suficientes, mas com a ausência de micronutrientes essenciais, uma realidade que também se reflete em países desenvolvidos.

Na Alemanha, a situação é preocupante: dados de 2017 indicam que um terço da população apresenta deficiência de vitamina D, resultando em problemas ósseos e um aumento no risco de fraturas. Além disso, a falta de iodo, vital para a produção de hormônios da tireoide, afeta a saúde de um terço dos alemães, com consequências especialmente severas para gestantes e seus bebês.

A alimentação inadequada, muitas vezes ligada à pobreza, é um dos principais fatores que contribuem para a “fome oculta”. Famílias em situação financeira vulnerável tendem a consumir alimentos de baixo valor nutricional, enquanto a depressão e a solidão aumentam o risco de deficiências em grupos como idosos. Doenças crônicas também dificultam a absorção de nutrientes, com a DGEM estimando que 30% dos pacientes internados estejam em risco de carência nutricional. Infelizmente, apenas uma fração desses casos é investigada e tratada adequadamente.

Diante desse cenário, autoridades de saúde da Alemanha planejam implementar um sistema de triagem nutricional em hospitais até 2027, inspirado em modelos de sucesso, como o da Holanda. Pirlich sugere que essa triagem também seja aplicada em consultórios, visando identificar casos em grupos de risco, como aqueles com doenças crônicas e os idosos.

A prevenção da desnutrição, especialmente entre as populações mais vulneráveis, é essencial. Iniciativas como merendas escolares gratuitas podem ser um caminho viável, embora as regras variem entre os estados. Além disso, uma alimentação diversificada e rica em vegetais é sempre recomendada. “Quanto mais colorido for o prato, melhor”, afirma Pirlich, salientando a importância de preservar os nutrientes durante o preparo e armazenamento dos alimentos.

Apesar dos esforços para garantir uma dieta equilibrada, a detecção precoce de deficiências nutricionais continua sendo crucial. Exames de sangue podem identificar carências, e, quando necessário, suplementos alimentares podem ser uma solução eficaz. A conscientização e a ação proativa são fundamentais para combater a deficiência nutricional e suas consequências devastadoras.

Crédito da imagem: Fome oculta causa 50 mil mortes por ano na Alemanha