sexta-feira, 06/11/2026

A importância de valorizar a diversidade sem associá-la a desigualdade.

Em um momento em que a sociedade enfrenta desafios relacionados à diversidade e ao acolhimento, a palestra do psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe no Neuro 2026 se destacou ao abordar as profundas implicações do…

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Em um momento em que a sociedade enfrenta desafios relacionados à diversidade e ao acolhimento, a palestra do psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe no Neuro 2026 se destacou ao abordar as profundas implicações do preconceito na saúde mental, principalmente entre pessoas transgênero. Rahe, com sua vasta experiência no atendimento a essa população, compartilhou insights sobre os efeitos do estresse contínuo e suas repercussões neurológicas.

O especialista ressaltou que a interação entre a diferença e o preconceito gera uma série de experiências adversas que se manifestam em níveis psicológicos e sociais. Entre os pontos abordados, ele mencionou o estigma, que liga os indivíduos a estereótipos prejudiciais, e a discriminação, que resulta em tratamentos desiguais. Além disso, o bullying e a rejeição são fatores que não apenas vitimizam, mas também fragmentam o senso de pertencimento da pessoa.

Rahe explicou que mesmo eventos breves de discriminação podem ter um efeito duradouro. “A expectativa de que o ato se repita pode acompanhar a pessoa todos os dias”, afirmou, destacando a importância de ouvir as vivências dos pacientes como uma forma de enriquecer o conhecimento científico. “Escutar não significa abandonar o método científico”, enfatizou.

O psiquiatra delineou como o estresse relacionado ao preconceito se divide em fatores externos e internos. Os estressores distais incluem discriminação e violência, enquanto os proximais envolvem a expectativa de rejeição e a hipervigilância. As consequências são alarmantes: aumento da ansiedade, depressão, e uma tendência ao isolamento social, que muitas vezes culmina em exaustão.

Um aspecto particularmente relevante que Rahe trouxe à tona foi o conceito de “masking”, que se refere ao esforço invisível que muitos indivíduos fazem para se adequar a normas sociais e garantir aceitação. Embora essa camuflagem possa parecer uma adaptação bem-sucedida, ela oculta uma luta constante que pode levar à exaustão e à falta de apoio.

O especialista também destacou a discrepância na prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre a população geral e aqueles que lidam com disforia de gênero, sugerindo que 11% dessa última categoria pode apresentar o transtorno. Isso evidencia a intersecção entre neurodiversidade e diversidade de gênero, com as pessoas neurodivergentes enfrentando barreiras adicionais, como dificuldades de comunicação e a imposição de normas sociais rígidas.

Em sua conclusão, Rahe apresentou um dilema: o caminho do risco, repleto de estigmas e ansiedade, contrastado com uma via de proteção que envolve escuta, aceitação e autonomia. A verdadeira superação, segundo ele, não reside em esconder as diferenças, mas sim em valorizar a diversidade como um componente essencial da sociedade. Essa mensagem, em um momento tão crítico, ressoa como um chamado à ação para uma maior inclusão e compreensão.