O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) continua a se alastrar, e o Quênia acaba de registrar seu oitavo caso, alertando as autoridades de saúde na região. O novo paciente, um homem de 49 anos, não é profissional da saúde, mas contraiu o vírus ao cuidar de um primeiro caso identificado, que veio do Congo e faleceu em um hospital em Nairóbi no início do mês.
O diretor-geral de Saúde do Quênia, Patrick Amoth, confirmou que o homem apresentou sintomas como febre e dores musculares, e foi isolado imediatamente após a confirmação do diagnóstico. O alerta se acende não apenas pelo aumento de infecções, mas também pela gravidade do surto que já causou mais de 4.500 mortes na RDC desde sua declaração em maio, levando a um total de 9.400 casos.
A situação é ainda mais preocupante com a confirmação de novos casos em Nord-Ubangi, na RDC, onde dois homens na faixa dos 20 anos foram diagnosticados com a doença, resultando na morte de um deles. Esses casos refletem a propagação geográfica do vírus, que agora atinge uma oitava província no país, evidenciando a dificuldade em conter a epidemia.
Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, destacou que, embora os focos de ebola estejam diminuindo, a expansão geográfica da doença é alarmante. Um dos principais desafios permanece em convencer as pessoas a buscar tratamento, já que muitas mortes ocorrem nas comunidades, antes que os pacientes tenham acesso a unidades de saúde.
Para tentar conter a disseminação, as autoridades de Kivu do Norte na RDC anunciaram restrições rigorosas, incluindo a limitação de entrada de pessoas de outras províncias e a proibição de grandes aglomerações. Essas medidas são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão, especialmente em áreas onde a saturação de serviços de saúde e a desconfiança da população dificultam o combate ao vírus.
Com a variante Bundibugyo do ebola em circulação, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados, a situação requer uma atenção redobrada das autoridades e da comunidade internacional, a fim de evitar que o surto se alastre ainda mais na região.



