sexta-feira, 06/11/2026

Abertura sobre a experiência de viver com uma doença pouco discutida

A trajetória de Monica Thomas, fundadora da organização beneficente Women’s Health Hope, destaca um problema alarmante na saúde ginecológica feminina: a falta de diagnóstico adequado e a estigmatização que envolve os sintomas. Desde a…

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A trajetória de Monica Thomas, fundadora da organização beneficente Women’s Health Hope, destaca um problema alarmante na saúde ginecológica feminina: a falta de diagnóstico adequado e a estigmatização que envolve os sintomas. Desde a adolescência, Monica enfrentou coceiras e dores na região íntima, mas seus relatos foram repetidamente desconsiderados pelos médicos, que atribuíam suas queixas a uma simples candidíase.

Aos 34 anos, após 28 consultas médicas em seis meses, ela finalmente obteve o diagnóstico de líquen escleroso, uma condição inflamatória crônica que causa desconforto intenso e pode levar a complicações graves. Esse diagnóstico tardio não é um caso isolado; especialistas alertam que muitas mulheres podem passar a vida sem receber o tratamento adequado para essa condição, que afeta cerca de 1% da população feminina, embora esse número provavelmente seja uma subestimação.

A médica Nighat Arif ressalta que o líquen escleroso pode ser confundido com doenças sexualmente transmissíveis, levando a diagnósticos errados e, consequentemente, tratamentos inadequados. A falta de conhecimento sobre a condição, tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde, perpetua um ciclo de dor e vergonha. “Infelizmente, ainda existe muita vergonha e constrangimento em buscar ajuda para sintomas na vulva”, afirma a especialista.

O impacto psicológico dessa jornada desassistida é significativo. Monica descreve um período “horrível e solitário”, marcado por diagnósticos errados e uma luta constante por respostas. Sua experiência revela um padrão preocupante: muitas mulheres enfrentam dificuldades semelhantes devido à falta de informações e à cultura do silêncio em torno da saúde íntima. Clare Baumhaeur, que também lutou contra o líquen escleroso durante sua vida, compartilha que muitos profissionais sequer mencionaram o termo “vulva” em suas consultas, o que destaca a necessidade urgente de uma educação mais abrangente sobre a saúde feminina.

Ambas as mulheres incentivam outras a conhecerem seus corpos e a não hesitarem em buscar múltiplas opiniões médicas. “Se você está sendo ignorado, busque várias opiniões”, diz Monica, enfatizando a importância de se manter em busca de respostas. A conscientização sobre o líquen escleroso e outras condições ginecológicas deve ser uma prioridade, tanto para pacientes quanto para o sistema de saúde, para que mais mulheres recebam o diagnóstico e tratamento que merecem.