A história de Lois Kinder, uma britânica de 44 anos, expõe os riscos ocultos dos suplementos naturais que, apesar de sua popularidade, podem trazer consequências devastadoras. Após consumir gomas de ashwagandha por aproximadamente um ano, Lois entrou em coma e precisou de um transplante de fígado, situação que os médicos associam diretamente ao uso do produto. Este caso alarmante levanta questões sobre a segurança e a regulação de suplementos alimentares, especialmente aqueles considerados “naturais”.
A ashwagandha, uma erva tradicional indiana, é amplamente utilizada em cápsulas e gomas que prometem aliviar estresse, melhorar o sono e equilibrar hormônios. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil já alertou que a eficácia e segurança desses produtos não foram comprovadas, levando à sua proibição no país desde novembro de 2022. Apesar da lei, muitos ainda são encontrados à venda, o que evidencia a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa.
Lois, que residia em Lymm, Cheshire, não era apenas uma usuária do suplemento, mas também uma influenciadora digital, promovendo as gomas em seu perfil no TikTok e recebendo produtos de diversas empresas internacionais para revender a seus seguidores. Os primeiros sinais de complicações surgiram quando sua pele e olhos começaram a apresentar um tom amarelado, conhecido como icterícia, um indicativo de que seu fígado estava falhando em processar a bilirrubina adequadamente.
O desfecho dessa história foi ainda mais dramático: durante o transplante, Lois sofreu três paradas cardíacas devido a um coágulo, resultando em danos cerebrais severos. Esse não é um caso isolado. A literatura médica já documentou várias ocorrências de lesões hepáticas relacionadas ao uso de ashwagandha, com relatos de pacientes apresentando icterícia e outros sintomas graves, alguns necessitando de transplantes e outros culminando em fatalidades.
No Brasil, a Anvisa enfatiza que a venda de suplementos alimentares deve seguir rigorosas diretrizes, permitindo apenas ingredientes que estejam na lista autorizada. Na prática, isso significa que produtos como a ashwagandha não podem ser comercializados. A agência também alerta para o fato de que esses itens não devem ser promovidos como cura ou tratamento para doenças, uma informação que muitos consumidores desconhecem e que pode levar a decisões prejudiciais à saúde.
O caso de Lois Kinder serve como um lembrete importante sobre a necessidade de cautela e orientação médica no uso de suplementos. O apelo por informações mais claras e fiscalização efetiva se torna cada vez mais urgente em um mercado onde o natural nem sempre é sinônimo de seguro.
Crédito da imagem: Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano



