sexta-feira, 06/11/2026

A experiência de dependência: o relato de quem começou a usar cetamina na adolescência

Megan Harmes, aos 24 anos, vive um processo de recuperação após anos de dependência de cetamina, uma droga que, embora utilizada na medicina, se tornou um flagelo entre os jovens de sua geração. Após…

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Megan Harmes, aos 24 anos, vive um processo de recuperação após anos de dependência de cetamina, uma droga que, embora utilizada na medicina, se tornou um flagelo entre os jovens de sua geração. Após quatro semanas de reabilitação, Harmes relata uma melhora em sua saúde física, mas os danos permanentes à sua bexiga ainda são uma incógnita, obrigando-a a lidar com a incontinência urinária.

A trajetória de Megan é emblemática do crescente problema que a cetamina representa, especialmente entre os jovens. O aumento no consumo da substância foi acentuado pela pandemia, quando muitos, como ela, encontraram na droga uma forma de lidar com a pressão emocional e a solidão. De acordo com a Kaleidoscope, organização que oferece suporte a dependentes, o número de internações por cetamina saltou de apenas duas em 2021 para 112 em 2023, com uma faixa etária predominante entre 18 e 24 anos.

A cetamina, classificada como uma droga de classe B no Reino Unido desde 2014, é acessível e barata, uma combinação que facilita seu uso frequente e em grandes quantidades. No Brasil, a Anvisa também impõe rigorosa regulamentação sobre o uso da cetamina e da escetamina, que é utilizada em tratamentos específicos, como a depressão resistente.

Pesquisadores da Universidade do Sul do País de Gales estão estudando o impacto do uso da cetamina entre os jovens, revelando que os danos surgem mais rapidamente do que os associados a outras substâncias. Essa realidade exige que os serviços de saúde se adaptem para atender a um público que, em muitos casos, começou a usar drogas ainda na adolescência. Jo Moore, da clínica Birchwood, destaca que a necessidade de tratamento para dependência de cetamina cresceu exponencialmente, evidenciando a urgência de um serviço de saúde mais preparado para lidar com essa nova realidade.

Os relatos de pacientes são alarmantes. Mark, que prefere manter sua identidade em sigilo, descreve uma saúde debilitada, comparando seu estado físico ao de uma pessoa de 80 anos. Ele, assim como muitos outros, luta contra a vergonha e o estigma que cercam a dependência, um fator que muitas vezes impede os jovens de buscar a ajuda que precisam. A dificuldade em associar sintomas a essa droga em serviços de saúde também é um desafio a ser superado.

Embora as instituições de saúde estejam começando a reconhecer e abordar as necessidades específicas desse grupo etário, a realidade é que muitos jovens ainda enfrentam barreiras para conseguir tratamento adequado. O esforço conjunto de organizações de apoio e serviços de saúde é fundamental para mudar essa situação, promovendo não apenas a recuperação, mas também a compreensão do impacto devastador do uso da cetamina.

Enquanto a pesquisa avança e o apoio a esses jovens se torna mais estruturado, a luta de pessoas como Megan e Mark reflete a necessidade urgente de uma abordagem mais eficaz e empática para tratar a dependência de cetamina e suas consequências. O caminho é longo, mas o suporte mútuo e as experiências compartilhadas têm se mostrado fundamentais na jornada de recuperação desses jovens.